15.3.09

vem, outono!



Tem alguns discos e filmes que me lembram fases e sensações parecidas. Apesar de serem de épocas diferentes, eles estão perfeitamente organizados como uma coleção na minha cabeça, como se fossem um "kit". O album solo da Beth Gibbons, "Out of Season" é um dos meus favoritos de todos os tempos e é, junto com o "Felt Mountain", do Goldfrapp (que já postei aqui antes), parte de um " kit"" muito valioso para mim.

Muito triste, muito sombrio e muito, muito bonito, esse disco me lembra muitas coisas - os invernos na fazenda, o céu azul e muito gelado no fim de tarde, o final do colégio, começo da faculdade, as mudanças todas dessa fase... Ouvi-lo hoje em dia me dá uma certa tranquilidade. Me conforta de alguma maneira esquisita. Me soa muito familiar, talvez seja por isso.

Mas o que eu acho mais legal desse disco é o quanto ele se parece e ao mesmo tempo se distancia do Portishead. Eu adoro a banda, mas o projeto solo (na verdade uma parceria com Paul Webb) me agrada muito mais que qualquer album deles. Soa mais maduro, mais elaborado e mais "timeless". Poderia ter sido lançado mês passado que não estaria defasado.

É um disco esperançoso ao mesmo tempo desesperado. As letras ora mostram uma calma pacífica ("Mysteries") e ora a falta dela ("Funny Time of Year"). Esse tom é constante e oscila delicadamente entre o tal desespero silencioso e a calmaria. Isso acontece também nos vocais e nas batidas super suaves que permeiam o disco todo.

"Tom the Model" é a mais "cheia" das canções, com belo arranjo de metais. "Romance" e "Sand River" - que estão em sequência - tem sido as minhas favoritas do disco ultimamente. É uma linda compilação de dez faixas quase-tristes e quase-felizes.


*A foto não é a arte do disco. Só uma imagem que eu gosto.

12.2.09

desafogando

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar


Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...




cartola
preciso me encontrar

3.2.09

can you keep a secret?


Reparei que todos os meus últimos posts tem sido sobre bandas e/ou discos calminhos e relativamente previsíveis. Eu sei que não tenho escutado só esse tipo de música, mas confesso que tem me ajudado a acalmar no transito ou durante as tardes ultraquentes no trabalho. Aliás, devo fazer um update em relação ao disco do Vetiver - o povo da "firrrrrma" hoje pirou quando tocou "More of This". Foi eleito o Hit do verão 2009!

------

Marcado pelas linhas de baixo (assim como o antecessor "Dreams"), "Rules", o novo disco do Whitest Boy Alive entra na linha calminha e previsível de que falei. Mas não há nada que te impeça de dançar - o baixo pulsante que permeia o disco todo é um convite absoluto à dança. De inovação, novamente, não há nada. Usa-se os mesmos tecladinhos, rifs rápidos e repeditos, a voz sempre homogênea do Erlend Oye e as mesmas batidas do outro disco. Até mesmo a capa lembra a do disco anterior. Não recomendo a quem procura sons novos, mas é ótima diversão pra quem se dispõe.

1.2.09

pequenas alegrias


Eu sei, eu sei, eu sei. Eu sei que o Little Joy é uma coisa panelinha e, principalmente, um hype. Eu sei. Mas é bom. É divertido, é fofo, é super verão, é calminho, é ótimo pra ouvir na beira da piscina e na rua, no frio absurdo de Londres, no fim de tarde no trabalho, na vitrola de alguém, com os barulhinhos do vinil arranhando junto. É ótimo.

O violãozinho simples, os vocais lindos em coral, a voz suave da Binki, as músicas com cara de Strokes, as músicas com cara de Hermanos, os vocais em coral (que eu amei, amei), as letras simples e fofas, os refrões fáceis de cantar, as batidas, os corais... Tudo grita VERÃO, PRAIA, FÉRIAS. Meudeus. Não tem como um disco ser mais verão que isso. E o Amarante é lindinho, e o Moretti também, e a Binki é lindinha também. Tudo muito fofo. Mas, como tudo tem um porém...

Eu achei uma PUUUUUUUUUUUUUUUTA mancada começarem o show com 2h30 de atraso! O público esperando amontoado enquanto a banda tomava suas cervejinhas pra começar o show às 0h40 (marcado prás 22h), em plena quarta-feira. Muito, muito feio.

Depois da entrevista com o Amarante na última Revista Trip não imaginei que algo assim pudesse acontecer. A entrevista começa assim: " Não se iluda com a fama, anônimo leitor. O show business não passa de um sonho ornado de aplausos (...) para Rodrigo Amarante. Hoje ele tá aí, olha só. Na sarjeta". Pois é. Acho que bastaram alguns gritos "Amarante, Amarante" pra mudar a cena. Pra quem quiser, a entrevista está aqui.

ooh, you make me...dance up inside



Sabe aquela banda que você esnoba sem motivo? Pura distração, falta de interesse, ou sei lá o que. Pois é, ignorei o Vetiver até o ano passado, quando me obriguei a escutar o ótimo disco de covers, "Thing of The Past". E foi assim que o pop folk perfeito deles me conquistou.

"Tight Knit", o novo disco lançado agora em Fevereiro, é mais uma bela coleção de canções de levada folk deliciosas. Nada de novo nem experimental - apenas 10 músicas ótimas, com toques de pop, folk e uma pitada de surf music. Trilha perfeita para uma tarde ensolarada de domingo.

22.12.08

transe

Fim de ano é uma loucura - me sinto como se tivesse em transe, observando tudo acontecer. E tudo acontece, e nada acontece, mil presentes, inferno astral, natal, festas, saudades, lembranças, férias, preguiça e vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. Pra completar essa bagunça esse ano eu resolvi tirar f'érias antecipadas. E esse foi o highlight absoluto dessa viagem.

9.7.08

indovindo

Essas temporadas de blog parado me deixam super triste - a interrupção é totalmente involuntária. É falta total de tempo. Só com um feriado no meio da semana para eu conseguir voltar. Mas vou me esforçar para conseguir mais tempo para o blog. Pretendo em breve mudar os layouts.

Feriados de inverno são ótimos! Dias lindos e frios - perfeitos para não se fazer absolutamente nada a não ser ler e ouvir música. Quase terapêutico. Deu até para montar minha primeira muxtape (que na verdade é a segunda, mas a primeira foi automaticamente apagada, sabe-se lá porque...) - uma seleção aleatória das canções que ouvi hoje à tarde. Enjoy.

Explico melhor e complemento o post daqui a pouco... fica aqui a listinha:

Muxtape - Superlotado

1. This is Ivy League - A Summer Chill
2. She & Him - I Should Have Known Better
3. Alice Dona - C'est Pas Prudent
4. Roberto Carlos - Do Outro Lado da Cidade
5. Sondre Lerche - Virtue & Wine
6. Domingo - A Good Thing
7. Timber Timbre - Oh Messiah
8. Jóvenes y Sexys - El Reloj
9. Vetiver - Houses
10. Rio En Medio - Let's Groove

26.4.08

ahn, a saudade...


Para quem é saudoso como eu é muito comum lembrar de momentos quando sente algum cheiro, ouve alguma música, ou coisa do tipo. Hoje o dia está incrivelmente igual aos dias de inverno dos tempos em que eu passava todas as férias na fazendo de uns tios meus. Incrível. E num momento shuffle começou a tocar uma nova do French Kicks e tudo simplesmente se encaixou. Seria uma trilha ideal para aqueles dias e me pareceu perfeito para o dia de hoje. Resolvi o escutar inteiro.

Ouvindo todo o disco novo com atenção percebi que apesar de não soar como novo, o álbum é bom. Muito bom, aliás. No final das contas, isso é o que sempre fez o French Kicks - discos não muito inovadores, mas bons. Competentes mesmo e que me agradam bastante.

Nesse último "Swimming", recentemente lançado e vendido no Itunes, o som não mudou, mas está um pouco mais bonito e ousado. Algumas músicas até lembram o Walkmen - principalmente nas guitarras e vocais, como na faixa de abertura "Abandon". Mas eles são menos barulhentos e os vocais são mais suaves, lembrando às vezes o Ambulance LTD.

A banda soa mais solta, arriscando até canções mais lentas, que saem do indie rock barulhento em direção a algo um quê praiano, já demonstrado no título do disco. "Said so What" e "Love in the Ruins" são as amostras mais óbvias do que estou tentando dizer. Só ouvindo para entender este belo disco que - já estou sentindo - será trilha das minhas tardes ensolaradas de outono.

French Kicks - Swimming
Myspace